Gênio da Raça: Naná Vasconcelos deixará saudades

O percussionista Naná Vasconcelos, de 71 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (9), no Recife. Ele tinha câncer de pulmão e estava internado há dez dias. De acordo com a assessoria do Hospital Unimed III, o músico teve uma parada respiratória e passou por um procedimento, mas não resistiu e faleceu às 7h39.

Eleito oito vezes, por revistas especializadas em música nos Estados Unidos, como o melhor percussionista do mundo e vencedor de 8 Grammys, Naná teve discos gravados com Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, parcerias com B.B King, Egberto Gismonti, Pat Metheny, o violinista francês Jean-Luc Ponty, Geraldo Azevedo, Geraldo Vandré e participações no memorável Festival da Canção. Com o grupo Jazz Codona lançou três discos.

Sua representação vai além da artística. Seu senso humanitário sempre falou mais alto e além de incluir os cabocliquinhos, grupo de cultura popular esquecido de Recife, em seus shows, criou e diversos projetos sociais que atendia crianças da América Latina, Europa e África. Autodidata, ele sempre reconheceu a força das expressões populares e a intrínseca relação entre cultura e educação.

Autodidata, o percussionista Naná Vasconcelos recebe o título de doutor honoris causa, na UFRPE, e fala sobre sua relação com a música e aprendizado. Leia mais: http://diariode.pe/bumr

A cultura brasileira perdeu hoje um gênio da raça, que por onde andou representou o país, sua identidade, sua cor e sua cultura.

“Devemos registrar que em seu campo musical Naná é um dos maiores do mundo”, registrou hoje o ministro Juca Ferreira em nota oficial. “Naná Vasconcelos nos ensinou a ouvir o Brasil. Nos trouxe de volta um país profundo, refugiado em nossas memórias de infância. Toda a sua obra como artista está impregnada de referências que são parte essencial do nosso modo de ser e de sentir.”, completa.